28 julho 2010

Ramatis é autor não espírita, por Jávier Godinho


Foi publicado no jornal "Diário da Manhã", de Goiânia - GO, um interessante artigo sobre Ramatis, com menção à obra de nossa autoria "Ramatis, Sábio ou Pseudo-Sábio?". O brilhante texto tem a autoria do jornalista, palestrante e estudioso espírita Jávier Godinho, membro da Academia Goianiense de Letras e doutrinador da Federação Espírita de Goiás, além de redator da Revista Espírita Allan Kardec, e pode ser lido também através do site do próprio jornal no link http://site.dm.com.br/noticias/opiniao/ramatis-nao-e-autor-espirita?.

"Gentil leitor contou-nos um dia desses que aprecia muito as obras de Ramatis, pedindo-nos que escrevêssemos alguma coisa sobre 'esse autor espírita'. Respondêmo-lhe que Ramatis não era espírita (seguidor da doutrina espírita, codificada por Allan Kardec), mas espiritualista (adepto do espiritualismo, segundo o dicionário doutrina filosófica que tem por base a existência de Deus e da alma, o que é bem mais amplo e diferente em muitos aspectos).

Relata Eduardo Carvalho Monteiro, no seu livro 'Salas de visitas de Chico Xavier' (coedição Eldorado/Eme, Capivari, São Paulo) que, há pouco mais de meio século, ficou muito conhecido um médium chamado Hercílio Maes, totalmente desligado do movimento espírita. Ele começou com algumas mensagens, recebidas sempre sozinho em sua residência e atribuídas a um espírito oriental que se apresentava como Ramatis.

Um dos primeiros livros de Ramatis foi Magia de redenção, que já evidenciava a preocupação com os problemas da magia e com habitantes de outros astros. Nova publicação, A vida no planeta Marte, numa época quando o cinema e a imprensa abusavam do tema disco voador, recebeu a atenção e os aplausos de milhares de espiritualistas, que queriam saber se os marcianos tinham mãos, olhos, nariz e outras partes do corpo iguais às nossas. Além de tudo, a redação era clara, boa e atraente, dificultando distinguir se se tratava de realidade ou de ficção.
Os livros de Ramatis vendiam muito e lotaram as prateleiras de livrarias e bibliotecas de muitos centros e até de federações espíritas. Baseados neles, para alguns, Kardec estava superado, ultrapassado por um indiano realmente moderno e de muito maior visão do universo.

Herculano Pires, sociólogo e jornalista, que brindou seus leitores com numerosas obras sérias e de indiscutível valor científico, mantinha no Diário de São Paulo uma coluna com o pseudônimo de Irmão Saulo, muito lida e discutida por espíritas e não espíritas. Lá, reconhecendo o mérito intelectual de Ramatis, reconheceu igualmente a inconveniência de suas ideias exóticas. Palavras textuais de J. Herculano Pires: “Perigoso não é o expositor ou autor que só diz tolices, vazadas em linguagem obscura, pobre, cheia de erros gramaticais e idéias pueris. Perigoso, sim, é o que expõe certo número de noções exatas, que usa argumentação brilhante, mas introduz, de permeio, ideias erradas e perigosas. Assim, tais ideias têm grande probabilidade de aceitação. É o que acontece com Ramatis”.

O filósofo Voltaire, com outras palavras, já havia dito a mesma coisa: “Mais perigosa do que uma mentira pode ser uma meia verdade”.

Artur Felipe Ferreira, autor de Ramatis, sábio ou pseudo-sábio?, que analisou os conceitos de Ramatis sobre magia, a vida em Marte, ideias espiritualistas orientais, gênese planetária e mediunidade, não deixou por menos e o classificou de pseudossábio.

Vai daí que Ramatis lançou 'Os tempos são chegados', anunciando o fim do mundo para o apagar do século 20. Isto aconteceria porque um astro saneador, que os astrônomos não percebiam, já estaria se aproximando da Terra, cujo eixo inverteria com seu magnetismo irresistível e de onde arrastaria os espíritos de dois terços da humanidade, no mais terrível das hecatombes. Esse corpo celeste apocalíptico foi chamado, dentre outros nomes, de Gheena, ou “planeta monstro” e “planeta chupão”, aterrorizando milhares de pessoas, nos cinco continentes e, sobretudo, espiritualistas no Brasil.

Aduz Eduardo Carvalho Monteiro que, como não poderia deixar de acontecer, até Francisco Cândido Xavier viu-se enredado em torno da polêmica formada, mas 'Emmanuel, por seu intermédio, soube sair bem do imbróglio, sem ferir o médium (Hercílio Maes), o espírito (Ramatis) ou seus admiradores. Chico, como sempre, sem perder a humildade, ensina, esclarece e dá-nos uma lição de respeito ao trabalho de outros médiuns'.

Entrevistado sobre tema tão delicado, Chico respondeu às perguntas da Revista Aliança para o terceiro milênio, de cunho espiritualista, edição de janeiro de 1956, que circulou em São Paulo até 1960. Seguem alguns trechos dessas declarações que tranquilizam e, em momento algum, confirmam fim do mundo:

“Esclarece nosso orientador espiritual Emmanuel que o assunto alusivo à aproximação de um planeta da aura da Terra deve, naturalmente, buscar-se em estudos científicos que possam saciar a curiosidade construtiva das novas gerações. O problema, desse modo, envolve acurados exames, com a colaboração da ciência, razão pela qual pede ele não nos detenhamos na expressão física dos acontecimentos que se aproximam”.(...)
“Afirma o nosso amigo que o progresso da ótica e das ciências matemáticas serão portadoras das ilações, de conclusões mais altas na importância de nossos destinos futuros próximos. Afirma que não podemos esquecer que a Terra, em sua constituição física propriamente considerada, possui os seus grandes repousos e atividades em períodos determinados”.(...)
“Toda essa eclosão de notícias, de mensagens, de avisos da vida espiritual, deve significar para o homem domiciliado na Terra, no presente século, que urge o nosso aproveitamento das lições de Jesus”. (...)
“Essa mensagem é digna de nosso melhor apreço. Contudo, na experiência de Emmanuel, nosso companheiro mais velho, fica-nos a recomendação para um interesse mais efetivo à fixação dos valores morais em nossa personalidade terrena, de conformidade com os padrões estabelecidos no Evangelho do nosso Divino Mestre”.

É o tempo implacável restabelecedor da verdade.

Sem planeta-monstro, amanheceu radiante e belo o dia primeiro de janeiro de 2000, novo século e novo milênio. Mesmo com fenômenos naturais arrasadores, quase um decênio depois, prossegue a mesma vida nos cinco continentes.

O médium Hercílio Maes retornou ao plano espiritual e não se teve mais notícias de Ramatis, cujos livros desceram das prateleiras e raramente são encontrados.
No Evangelho de Mateus está escrito, há dois mil anos: “Guardai-vos dos falsos profetas...” (7; 15).

12 julho 2010

Nos Descaminhos da Fascinação


Há, em "O Livro dos Espíritos", primeira e principal obra da Codificação Espírita, um questionamento de Allan Kardec aos Espíritos Superiores nos seguintes termos:

459 - "Os espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?"

Cuja resposta foi: "A esse respeito sua influência é maior do que credes, porque, frequentemente, são eles que vos dirigem".

Allan Kardec, assim como os Espíritos Superiores que o inspiraram no trabalho de escrever e organizar as obras que compõem a Codificação Espírita, sempre se preocupou em alertar acerca dos perigos oriundos da influência dos espíritos imperfeitos. À esta influência deram o nome de "obsessão".

Didaticamente, a obsessão pode atingir três graus bem caracterizados, conforme podemos ler em "O Livro dos Médiuns":

1 - Obsessão simples , que é, segundo o Codificador, "quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, se imiscui, a seu mau grado, nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e se apresenta em lugar dos que são evocados.(...) Ninguém está obsidiado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso. O melhor médium se acha exposto a isso, sobretudo, no começo, quando ainda lhe falta a experiência necessária, do mesmo modo que, entre nós homens, os mais honestos podem ser enganados por velhacos. Pode-se, pois, ser enganado, sem estar obsidiado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito, do qual não consegue desembaraçar-se a pessoa sobre quem ele atua".

(...)"Na obsessão simples, o médium sabe muito bem que se acha presa de um Espírito mentiroso e este não se disfarça; de nenhuma forma dissimula suas más intenções e o seu propósito de contrariar. O médium que se mantém em guarda raramente é enganado. Este gênero de obsessão é, portanto, apenas desagradável e não tem outro inconveniente, além do de opor obstáculo às comunicações que se desejara receber de Espíritos sérios, ou dos afeiçoados".

2 - A subjugação, que é "uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. O paciente fica sob um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corporal".

"No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é como uma fascinação.

No segundo caso, o Espírito atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. Traduz-se, no médium escrevente, por uma necessidade incessante de escrever, ainda nos momentos menos oportunos. Vimos alguns que, à falta de pena ou lápis, simulavam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem, mesmo nas ruas, nas portas, nas paredes.

Vai, às vezes, mais longe a subjugação corporal; pode levar aos mais ridículos atos. Conhecemos um homem, que não era jovem, nem belo e que, sob o império de uma obsessão dessa natureza, se via constrangido, por uma força irresistível, a pôr-se de joelhos diante de uma moça a cujo respeito nenhuma pretensão nutria e pedi-la em casamento. Outras vezes, sentia nas costas e nos jarretes uma pressão enérgica, que o forçava, não obstante a resistência que lhe opunha, a se ajoelhar e beijar o chão nos lugares públicos e em presença da multidão. Esse homem passava por louco entre as pessoas de suas relações; estamos, porém, convencidos de que absolutamente não o era; porquanto tinha consciência plena do ridículo do que fazia contra a sua vontade e com isso sofria horrivelmente".

3 - E, finalmente, a fascinação, que "é muito mais grave, no sentido de que o médium se ilude completamente. O Espírito que o domina ganha sua confiança ao ponto de paralisar seu próprio julgamento na análise das comunicações e lhe faz achar sublimes as coisas mais absurdas".

"Há Espíritos obsessores sem maldade, que alguma coisa mesmo denotam de bom, mas dominados pelo orgulho do falso saber. Têm suas ideias, seus sistemas sobre as ciências, a economia social, a moral, a religião, a filosofia, e querem fazer que suas opiniões prevaleçam. Para esse efeito, procuram médiuns bastante crédulos para os aceitar de olhos fechados e que eles fascinam, a fim de os impedir de discernirem o verdadeiro do falso. São os mais perigosos, porque os sofismas nada lhes custam e podem tornar cridas as mais ridículas utopias.(...) Procuram deslumbrar por meio de uma linguagem empolada, mais pretensiosa do que profunda, eriçada de termos técnicos e recheada das retumbantes palavras caridade e moral. Cuidadosamente evitarão dar um mau conselho, porque bem sabem que seriam repelidos. Daí vem que os que são por eles enganados os defendem, dizendo: 'Bem vedes que nada dizem de mau'. A moral, porém, para esses Espíritos é simples passaporte, é o que menos os preocupa. O que querem, acima de tudo, é impor suas idéias por mais disparatadas que sejam".

A fim de que pudéssemos reconhecer melhor os espíritos fascinadores, Kardec os descreve:

"Os Espíritos dados a sistemas são geralmente escrevinhadores, pelo que buscam os médiuns que escrevem com facilidade e dos quais tratam de fazer instrumentos dóceis e, sobretudo, entusiastas, fascinando-os. São quase sempre verbosos, muito prolixos, procurando compensar a qualidade pela quantidade. Comprazem-se em ditar, aos seus intérpretes, volumosos escritos indigestos e frequentemente pouco inteligíveis, que, felizmente, têm por antídoto a impossibilidade material de serem lidos pelas massas. Os Espíritos verdadeiramente superiores são sóbrios de palavras; dizem muita coisa em poucas frases. Segue-se que aquela fecundidade prodigiosa deve sempre ser suspeita."

E aconselha:

"Nunca será demais toda a circunspecção, quando se trate de publicar semelhantes escritos. As utopias e as excentricidades, que neles por vezes abundam e chocam o bom-senso, produzem lamentável impressão nas pessoas ainda noviças na Doutrina, dando-lhes uma ideia falsa do Espiritismo, sem mesmo se levar em conta que são armas de que se servem seus inimigos, para ridicularizá-lo. Entre tais publicações, algumas há que, sem serem más e sem provirem de uma obsessão, podem considerar-se imprudentes, intempestivas, ou desazadas."

Os Efeitos sobre o Movimento Espírita

A fascinação é realmente mais comum do que se pensa. Tal como uma epidemia, espalhou-se, e, atualmente, atinge o Movimento Espírita como uma doença moral muito séria. Aliada à falta de estudo das obras de Kardec, à tendência cultural ao sincretismo e à ausência de discernimento e de auto-crítica, ela é responsável pela edição de livros antidoutrinários e comprometedores existentes no mercado da literatura espírita. Essas obras são escritas por médiuns e escritores muitas vezes ingênuos ou mesmo vaidosos que, sob o império da fascinação, não se dão conta do ridículo a que se submetem, comprometendo, inclusive, o sadio entendimento das massas acerca da própria Doutrina Espírita e do que ela verdadeiramente ensina.

A Salada Mística

A fascinação é, sem dúvida, a responsável por inúmeras condutas esdrúxulas observadas em núcleos ditos espíritas, tais como práticas de cunho supersticioso e místico, sem qualquer fundamento racional e doutrinário.

Na esfera da divulgação, muitos indivíduos, embora instruídos, não estão livres da fascinação. Alguns, por confiarem excessivamente no seu pretenso saber, tornam-se instrumentos de Espíritos fascinadores e passam a divulgar, através de livros ou palestras, conceitos antidoutrinários nocivos à fé (raciocinada) espírita. Adotam e divulgam uma série de "ensinos" sem qualquer fundamentação doutrinária e um discurso místico-esotérico a qual chamam de "universalismo", sendo que, quando tais "ensinos" são comparados, nota-se não haver qualquer concordância e que cada um de seus representantes diz uma coisa, baseados que estão unicamente em suas férteis imaginações e arroubos místicos.

Crianças índigo, planeta chupão, apometria, poder curador de cristais e objetos materiais, profecias mirabolantes e aterrorizantes, milagres, intraterrestres, ETs que implantam chips na cabeça dos outros, terapias exóticas e milagreiras, 4ª e 5ª dimensões que a tudo explicam, astrologia, rituais e maneirismos... Enfim, é possível listarmos aqui centenas de fantasias, conceitos e noções que não encontram o menor respaldo, nem doutrinário, nem científico, e que só afastam o indivíduo da realidade, alienando-o e expondo-o a uma posição ridícula, levando de roldão a própria Doutrina Espírita perante a opinião pública.

Infelizmente, isso tudo é conduzido por espíritos perversos, levianos e/ou pseudo-sábios, que estimulam tais fantasias de modo a atrasar o progresso do humanidade e de seus ingênuos adeptos, fazendo-se valer de indivíduos incautos, de mente imaginosa e que carecem de aprofundamento e estudo das questões mais básicas do conhecimento, tanto do ponto-de-vista humano quanto espiritual.

São pessoas que ainda atrelam as questões do espírito ao maravilhoso, ao sobrenatural, ao milagreiro, ao aterrador, ao fantástico, esquecendo-se da razão, da racionalidade e da necessidade de tudo aferir para que então se possa, enfim, acreditar. Em tudo creem, bastando que esteja um médium, um espírito ou algo que o valha a ditar alguma tolice sem sentido - desde que recheada de palavras bonitas e pomposas - para que sejam imediatamente aceitas como reflexo da Verdade e da mais pura "revelação" espiritual..

Quando chamados à realidade, vociferam, alegando terem a liberdade de pensarem como quiserem e que não se encontram "presos" a nenhuma "ortodoxia", não se importando que levam, de roldão, dezenas de outras consciências ao abismo de seus devaneios místicos, com que se aferram, julgando-se "especiais", "escolhidos"...

A Fascinação nos Grupos Espíritas

Allan Kardec alerta para outro grave perigo: o da fascinação de grupos espíritas. Iniciantes afoitos e inexperientes podem cair vítimas de Espíritos mistificadores e embusteiros que se comprazem em exercer domínio intelectual sob todos aqueles que lhes dão ouvidos, manifestando-se algumas vezes como guias, missionários, e até como Espíritos de outra natureza, advindos de algum planeta ou galáxia distante. O mesmo pode ocorrer com grupos experientes que se julguem maduros o suficiente. O orgulho e o sentimento de superioridade é a porta larga para a entrada dos Espíritos fascinadores. Portanto, deve-se tomar todo o cuidado quando na direção de centros espíritas e das sessões de atividades mediúnicas. Os dirigentes são alvos preferidos dos Espíritos hipócritas que, dominando-os, podem mais facilmente dominar o grupo.

Preocupado com tais descaminhos, o espírito Vianna de Carvalho ditou a seguinte mensagem, intitulada "Esquisitices e Espiritismo":

"Ressumam com frequência nos arraiais da prática mediúnica esdrúxulas superstições que tomam corpo, teimosamente, entre os adeptos menos esclarecidos do Espiritismo, grassando por descuido dos estudiosos, que preferem adotar uma posição dubidativa, à coerência doutrinária de que sobejas vezes deu mostras o insigne Codificador.

Pretendendo não se envolver no desagrado da ignorância que se desdobra sob a indumentária de fanatismos repetitivos, alguns espíritas sinceros, encarregados de esclarecer, consolar e instruir doutrinariamente o próximo, fazem-se tolerantes com erros lamentáveis, em detrimento da salutar propaganda da Doutrina de Jesus, ora atualizada pelos Espíritos Superiores. A pretexto de não contrariarem a petulância e o aventureirismo, cometem o nefando engano de compactuarem com o engodo, desconcertando as paisagens da fé e, sem dúvida, conspurcando os postulados kardecistas, que pareceriam aceitar esses apêndices viciosos e jargões deturpadores como informações doutrinárias. (...)

De uma lado, é a ausência de estudo sistemático, de autodidatismo espíritico, haurido na Codificação, de atualização doutrinária em face das conquistas do moderno pensamento filosófico e tecnológico; doutro, é o desamor com que muitos confrades, após se adentrarem no conhecimento imortalista, mantêm atitude de indiferença, resguardando a própria comodidade, por egoísmo, recusando-se a experimentar problemas e tarefas, caso se empenhassem na correta difusão e no eficiente esclarecimento espírita; ainda por outra circunstância, é a falsa supervalorização que se atribuem muitos, preferindo a distância, como se a função de quem conhece não fosse a de elucidar os que jazem na incipiência ou na sombra das tentativas infelizes; e, normalmente, é porque diversos preferem a falsa estima em que se projetam ilusoriamente a desfavor do aplauso da consciência reta e do labor retamente realizado...

...E surgem esquisitices que recebem as manchetes do sensacionalismo da Imprensa mais interessados na divulgação infeliz que atrai clientes, do que na informação segura que serve como luzes do esclarecimento eficiente.

Médiuns e médiuns pululam nos diversos campos da propaganda, autopromovendo-se, mediante ridículos conciliábulos como 'status' de fantasias vigentes no báratro em que se converteu a Terra, sem aferição de valores autênticos, com raras exceções, conduzindo, quase sempre, a deplorável vulgaridade a nobre Mensagem dos Céus, assim chafurdando levianamente nos vícios que incorrem. Fazem-se instrumentos de visões extravagantes e dizem-se dialogando com anjos e santos desocupados, quando não se utilizando, ousadamente, dos venerandos nomes de Cristo e Maria, dos Apóstolos e dos eminentes sábios e filósofos do passado, que retornam com expressões da excentricidade, abordando temas de somenos importância em linguagem chã, com despautérios, em desrespeito pelas regras elementares da lógica e da gramática, na forma em que se apresentam. Parecia que a desencarnação os depreciara, fazendo-os perder a lucidez, o patrimônio moral-intelectual conseguido nos longos sacrifícios em que se empenharam arduamente. Prognosticam, proféticos, os fins dos tempos chegados e, imaginosos, recorrem ao pavor e à linguagem empolada, repetindo as proezas confusas de videntes do pretérito, atormentados que são, a seu turno, no presente.

Utilizando-se das informações honestas da Ciência, passam à elaboração de informes fantásticos, fomentando débeis vagidos de 'ciência-ficção', entregando-se a debates e provas inexpressivas retiradas de lacônicos telegramas de agências noticiosas, com que esperam positivar seus informes sobre a vida em tais ou quais condições, nesse ou naquele Planeta do Sistema Solar, ou noutra galáxia que se lhe torne simpática, como se a Doutrina já não o houvera oportunamente conceituado com segurança a questão, à Ciência competindo o labor de trazer a sua própria afirmação, sem incorrerem os espiritistas no perigo do ridículo desnecessário...
(Veja nosso artigo sobre o tema aqui).

Outras vezes entregam-se à atualização de antigas crendices e feitiços, enredando os neófitos em mancomunações com Entidades infelizes ainda anestesiadas pelos tóxicos de última reencarnação, vinculadas às impressões do que acreditavam e se demoram cultuando...

Receitam práticas estranhas e confusas, perturbando as mentes que se encontram em plena infância da cultura como da experiência superior, tornando-se chefes e condutores cegos que são, conduzindo outros cegos, conforme a lição evangélica, terminando por caírem todos no mesmo abismo...

O Espiritismo é simples e fácil como a verdade quando penetrada.

Deixá-lo padecer a leviana aventura de pessoas irresponsáveis, ingênuas ou malévolas, é gravame de que não se poderão eximir os legítimos adeptos da Terceira Revelação.

(...)Cabem, frequentemente, sempre que possíveis, as honestas informações entre Doutrina Espírita e Doutrinas Espiritualistas, prática espírita e práticas mediúnicas, opinião espírita e opiniões medianímicas, calcadas na Codificação Kardequiana, que delineou, aliás, com muita propriedade, as características do Espiritismo, conforme se lê na Introdução de 'O Livro dos Espíritos', estando presente em todo o Pentateuco, que desdobra os postulados mestres em incomparáveis estudos de perfeita atualidade, a resistirem a todas as investidas da razão, da técnica e da fé contemporâneas".


Questão de Coerência

Como já pudemos constatar em vários artigos, não só o Codificador e os Espíritos ligados diretamente à Codificação se preocupavam com os rumos do movimento Espírita e a nefasta tendência das ideias demasiado heterodoxas e suas infiltrações no Movimento Espírita, mas também outras entidades espirituais têm atualmente evidenciado grande preocupação com a invasão de práticas e conceitos estranhos advindos do Orientalismo e do Africanismo, que são respeitáveis, mas que não coadunam com os ensinamentos espíritas.

Portanto, estudemos, pois, a Doutrina Espírita, e atentemos para os desvios que sorrateiramente encarnados e desencarnados propõem de maneira leviana e até irresponsável, para que, amanhã, não caiamos nós nas teias e descaminhos da fascinação.

24 maio 2010

Os Cavalos de Troia do Espiritismo


Segundo conta a lenda, os troianos acreditaram que um grande cavalo de madeira teria sido dado a eles de presente pelo exército grego como sinal de rendição após uma longa e sangrenta guerra. No entanto, tudo não passou de uma grande ideia de Odisseu, um sagaz guerreiro, que pensou numa maneira de entrar em Troia sem despertar a desconfiança dos inimigos troianos. Recebido com festa e júbilo, o grande cavalo na verdade abrigava dezenas de soldados em seu interior, que, já bem tarde da noite, aproveitando-se do cansaço e da ressaca provocada pelos intensos festejos troianos, saíram de seu esconderijo, abriram os portões da cidade aos outros milhares de soldados escondidos do lado de fora que tomaram a cidade, logo após saqueando-a e incendiando-a.

Pois bem, nada muito diferente desta conhecida história tem ocorrido com o Movimento Espírita praticamente desde que o Espiritismo deu, na França, seus primeiros passos.

Inicialmente, o Espiritismo teve de lutar contra seus inimigos externos: os materialistas, os chefes da Igreja, e os céticos em geral, todos interessados em destruí-lo, ou por vê-lo como uma ameaça aos seus interesses de domínio e poder, ou por mero escárnio e aversão à reforma ético-moral que a mensagem espírita trazia, desde o princípio, em sua filosofia.

No entanto, a maior luta que o Espiritismo teve e tem travado tem sido contra seus inimigos internos, ou seja, aqueles que dizem ocupar suas fileiras, mas que, na verdade, tais quais os gregos, nada mais intentam, conscientemente ou não, que destruí-lo.

O Primeiro de Todos

O primeiro cavalo de troia inoculado, tal qual um vírus letal, em nosso meio, foram as ideias docetistas, ressuscitadas por um certo advogado bordelense chamado J.-B. Roustaing com a colaboração de uma (única) médium chamada Emillie Collignon, que pensaram poder solapar a obra kardequiana de uma só vez através de ditados mediúnicos supostamente advindos dos evangelistas Mateus, Marcos, João e Lucas, sob a também suposta coordenação do Espírito Moisés.

De posse de tais suspeitas comunicações, eivadas de erros crassos e ideias absurdas, de forte influência do pensamento católico, Roustaing compilou a obra "Os Quatro Evangelhos – Espiritismo Cristão, ou Revelação da Revelação", que publicou em 1866, a qual foi imediatamente contestada por Allan Kardec. Com a negativa de Kardec de aceitar prontamente o inteiro teor da referida obra, Roustaing e seus partidários duramente atacaram o Codificador nas páginas suprimidas do prefácio de "Os Quatro Evangelhos", de 1920, com ironia e desdém, acusando o codificador de ser o "chefe", o "mestre" de uma "igrejinha com seus corrilhos, entregue a lutas liliputianas". Ficava, pois, evidente, conforme muito claramente explica Sérgio Aleixo em sua obra "O Primado de Kardec", "... a patente rivalidade, a exagerada conta em que Roustaing e seus discípulos tinham sua própria "escola", supostamente tão superior à de Kardec a ponto de poder substituí-la. Àquela época, o cisma rustenista era confesso. Proclamavam: "Cismas há atualmente; ninguém tem o poder de impedi-los".

Nos dias de hoje, as ideias rustenistas, apesar da pouca vendagem e penetração de sua supra-citada obra basilar, estão presentes em obras editadas pela FEB - Federação Espírita Brasileira, tais como os best-sellers "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", "O Consolador" e "Voltei", além de outras menos conhecidas, porém não menos perigosas "obras-primas" do pensamento neo-docetista, como "Elucidações Evangélicas", "Elos Doutrinários", "A Vida de Jesus", "O Cristo de Deus", entre outras.

O conjunto de teses antidoutrinárias defendidas pelo roustainguismo (ou rustenismo) incluem, por exemplo:

1- A crença que Jesus teria revestido um corpo fluídico e nascido de uma virgem, tornada grávida apenas aparentemente;
2- A defesa da metempsicose, i.é, que o espírito possa reencarnar na condição de animal, mais especificamente como "larvas informes” e chamadas "criptógamos carnudos", "uma massa quase inerte, de matérias moles e pouco agregadas, que rasteja ou antes desliza, tendo os membros, por assim dizer, em estado latente". (Os Quatro Evangelhos, 1.º vol., n. 57 a n. 59, p. 307-313.);
3- A antidoutrinária tese de que "a encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo; [...] em princípio, é apenas consequente à primeira falta, àquela que deu causa à queda". (Os Quatro Evangelhos, 1.º vol., n. 59, p. 317 e 324.)

O Ramatisismo

Não muito diferentemente da estratégia rustenista, o Ramatisismo trouxe antigas ideias do antigo espiritualismo oriental travestidas de novidades, desta feita explorando a tendência místico-esotérica, em lugar das teses do Catolicismo Romano e de seitas cristãs dos primeiros séculos depois de Cristo defendidas por Roustaing e seus adeptos.

Igualmente valendo-se de um único médium, o advogado e contador curitibano Hercílio Maes, de formação teosofista, o espírito Ramatis que, segundo alguns, aparece vestindo um turbante com uma esmeralda e uma túnica ao estilo hindú, defende um certo "universalismo eclético", capaz, segundo ele, de enriquecer o corpo doutrinário espírita. Alegando ter fundado santuários iniciáticos no século X na China e na Índia, teria desencarnado ainda moço. Alega também ter tido posições de destaque na mitológica Atlântida, no antigo Egito e na Grécia, além de ter convivido com Jesus e Kardec. Com base nessa suposta ligação com o primeiro, ditou o livro "O Sublime Peregrino", com o qual intenta descrever detalhes da passagem do Cristo pelo planeta, na tentativa de passar ao leitor autoridade e conhecimento. Seguindo a mesma estratégia de convencimento, dita ainda a obra "A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores", que passa a ser coqueluche nos idos de 1950, justamente quando surgem os primeiros filmes sobre ETs e vida em outros planetas. Seu minucioso relato sobre a vida e a topografia marcianas, no entanto, sofre duro abalo, já que, anos depois, sondas não-tripuladas chegam ao planeta e descrevem uma paisagem inteiramente diferente àquela constante da referida obra.

Embora não se auto-intitule "espírita", Ramatis procura incutir ao leitor a noção de que se encontra acima daquilo que chama de "rótulos" e "convenções humanas", ao mesmo tempo que seus ditados, estranhamente, se destinam quase que exclusivamente ao leitor espírita. Ousadamente, Ramatis chega a afirmar que o Espiritismo naufragará, caso seus adeptos relutem em aceitar os elevados princípios e ensinos do espiritualismo oriental. Por conta disso, os centros ramatisistas, boa parte ostentando o nome "espírita" em suas fachadas, veiculam conceitos e práticas estranhas ao Espiritismo, embora digam seguir Kardec, além de Jesus e, claro, o próprio Ramatis, alçado à condição de última palavra em termos de revelação espiritual.

Onde está a concordância?

Aprendemos em "O Livro dos Médiuns" que os Espíritos Superiores jamais se contradizem. Levando-se em conta tal premissa, logo chegamos à conclusão que, entre Roustaing e Ramatis, pelo menos um deles está errado, já que essas duas "escolas" defendem princípios completamente divergentes entre si. Ramatis, inclusive, chega a afirmar que a principal tese rustenista, a do corpo fluídico de Jesus, "é ainda um reflexo dos efeitos seculares adstritos aos dogmas, milagres, mitos e tabus copiados da vida de diversos precursores de Jesus" (O Sublime Peregrino, Cap. VII, A natureza do Corpo de Jesus). Não obstante, lança sua própria tese de que Jesus fora discípulo dos essênios, tendo aprendido com eles, e que, ao mesmo tempo, foi médium do Cristo, "uma entidade espiritual arcangélica", algo que, em momento algum, encontramos em Roustaing.

Portanto, vemos aí uma batalha ideológica entre espíritos unicamente interessados em fazerem prevalecer suas ideias e opiniões isoladas, com as quais acabam por provocar a cizânia, a divisão e a desinteligência nas fileiras espíritas que, teoricamente, deveriam manter-se fiéis, por mera questão de coerência, ao Espiritismo e à Codificação Espírita, conjunto de obras que passaram pelo crivo da universalidade e concordância, além de terem sido supervisionadas pelo insígne e autêntico missionário Allan Kardec, cujas credenciais todos conhecemos e das quais possuímos inúmeros exemplos positivos e factuais.

Conclusão

Muitos indagam como podem os Espíritos Superiores, ou mesmo Deus, permitirem que certos espíritos, encarnados e desencarnados, alcancem (parcial) sucesso em suas empreitadas, com as quais enganam a tantos. A resposta também encontramos na Codificação, repositório de múltiplos alertas a respeito da ação dos espíritos pseudossábios e mistificadores que pululam na atmosfera espiritual terrena:

P.:(...)"Mas como os Espíritos elevados permitem a Espíritos de baixa classe usarem nomes respeitáveis para semear o erro através de máximas muitas vezes perversas?"

R.: — "Não é com a sua permissão que o fazem. Isso não acontece também entre vós? Os que assim enganam serão punidos, ficai certos disso, e a punição será proporcional à gravidade da impostura.

— Aliás, se não fosseis imperfeitos só teríeis Espíritos bons ao vosso redor. Se sois enganados, não o deveis senão a vós mesmos. Deus o permite para provar a vossa perseverança e o vosso discernimento, para vos ensinar a distinguir a verdade do erro. Se não o fazeis é porque não estais suficientemente elevados e necessitais ainda das lições da experiência."

Outros tantos também se confundem por encontrarem boas coisas nos ditados desses espíritos. Tal questão é também esclarecida na Codificação:

P.: 11. As comunicações espíritas ridículas são às vezes entremeadas de boas máximas. Como resolver essa anomalia, que parece indicar a presença simultânea de Espíritos bons e maus?

Os Espíritos maus ou levianos se metem também a sentenciar, mas sem perceberem bem o alcance ou a significação do que dizem. Todos os que o fazem entre vós são homens superiores? Não, os Espíritos bons e maus não se misturam. É pela constante uniformidade das boas comunicações que reconhecereis a presença dos Espíritos bons."

É bom que ressaltemos que nem sempre tais espíritos estão de má-fé:

P.: 12. Os Espíritos que induzem ao erro estão sempre conscientes do que fazem?

— "Não. Há Espíritos bons, mas ignorantes; podem enganar-se de boa fé. Quando tomam consciência da sua falta de capacidade eles a reconhecem e só dizem o que sabem."

Foi, no entanto, o Espírito Erasto que nos trouxe o alerta mais direto sobre a ação dessa classe de espíritos em 1862, na cidade de Bordéus (onde residia Roustaing), Paris, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, apontando os "falsos profetas da erraticidade", ou seja, "Espíritos orgulhosos que, aparentando amor e caridade, semeiam a desunião e retardam a obra de emancipação da Humanidade, lançando-lhe através seus sistemas absurdos, depois de terem feito que seus médiuns os aceitem. E, para melhor fascinarem aqueles a quem desejam iludir, para darem mais peso às suas teorias, se apropriam, sem escrúpulos, de nomes que só com muito respeito os homens pronunciam.

"São eles que espalham o fermento dos antagonismos entre os grupos; que os impelem a isolarem-se uns dos outros, a olharem-se com prevenção. Isso, por si só, bastaria para os desmascarar, pois, procedendo assim, são os primeiros a dar o mais formal desmentido às suas pretensões. Cegos, portanto, são os homens que se deixam cair em tão grosseiro embuste..."

E conclui o sábio Espírito, dizendo:

"- É incontestável que, submetendo ao crivo da razão,da lógica todos os dados e todas as comunicações dos espíritos, fácil se torna rejeitar a absurdidade e o erro. Pode um médium ser fascinado, pode um grupo ser iludido; mas, a verificação severa a que procedam os outros grupos, a ciência adquirida, a elevada autoridade moral dos diretores de grupos, as comunicações que os principais médiuns venham a receber, com um cunho de lógica e de autenticidade dos melhores Espíritos, rapidamente condenarão esses ditados mentirosos e astuciosos, que emanam de uma turba de Espíritos mistificadores ou maus". ("O Evangelho segundo o Espiritismo",Cap.XXI,itens X,l)

E, por fim, perguntamos a todos: onde estão os falsos profetas da erraticidade, já que tudo quanto é ditado escrito por via mediúnica é aceito prontamente pelo Movimento Espírita como sendo advindo da Espiritualidade Superior, sem qualquer análise e critério, e logo encaminhadas para publicação? Por que a aceitação pura e simples de qualquer mensagem, sendo que sabemos que, no mundo dos espíritos, tanto os bons quanto os maus podem se comunicar?

Ou seguimos o critério kardequiano de análise das mensagens, seguido de um retorno à divulgação e estudo rigoroso e sério das obras da Codificação Espírita, ou então continuaremos a testemunhar a entrada dos cavalos-de-troia através de nossos muros, aproveitando-se da incúria e da ingenuidade de muitos que, mesmo sabendo do perigo iminente, fecham os olhos confiando unicamente naquilo que chamam de "providência divina", esquecendo-se das responsabilidades a nós confiadas.

Cabe, pois, aos espíritas verdadeiros, cuidarem para que o Movimento Espírita não se desvie pelas sendas do erro e da divisão, tal qual aconteceu com o Cristianismo, hoje tornado uma autêntica colcha de retalhos. O Espiritismo é um só: aquele contido nas obras kardecianas, sem enxertias e adulterações, tal qual um todo monolítico e capaz de responder às mais graves questões espirituais por ainda muito, muito tempo.

13 maio 2010

O Que Não É Espiritismo


Dentro de nossa proposta de levar ao conhecimento geral o que é a Doutrina Espírita, em oposição aos que propõem um ecletismo ilógico e até mesmo absurdo no Movimento Espírita, listaremos aqui algumas práticas e conceitos que nada têm a ver com o Espiritismo, embora sejam divulgadas em alguns núcleos sincréticos como sendo corroboradas pela Doutrina.

Sabemos que o povo brasileiro tem uma forte tendência ao sincretismo, sendo que espíritos e indivíduos encarnados têm explorado tal atavismo com o intuito de promover, intencionalmente ou não, a confusão, com o qual desejam minar a proposta espírita, tal qual foi feito com o Cristianismo, transformado em uma autêntica colcha de retalhos devido às centenas de interpretações e desinteligências entre seus adeptos ao longo do tempo.

Vamos, então, a essa extensa lista:

1 - Kardecismo (termo impróprio e não presente na Codificação);
2 - Crença na existência de "almas gêmeas";
3 - Incorporação (termo inexato, uma vez que nenhum espírito "entra" no corpo de um encarnado);
4 - Apometria (tema tratado aqui);
5 - Animais no plano espiritual (saiba mais clicando aqui);
6 - Médiuns perfeitos (veja mais aqui);
7 - Mesa branca (a toalha colocada sobre as mesas dos Centros pode ser de qualquer cor, e nem há "linhas" espíritas. O Espiritismo é um só, aquele codificado por Allan Kardec a partir de 1857);
8 - Assistencialismo institucional (a proposta espírita visa o esclarecimento, a caridade moral. Centros podem ou não dedicar-se à caridade material. Leia interessante artigo sobre o tema clicando aqui);
9 - Hinário "espírita" (o Espiritismo dispensa cantorias ou espetáculos de adoração exterior);
10 - Exilados de Capela (teoria sem comprovação e sem embasamento doutrinário. Vide mais clicando aqui);
11 - Sincretismo (o Espiritismo possui axiomas e princípios que lhes são próprios, não se coadunando com práticas de movimentos religiosos, embora respeite todas as religiões e identifique alguns dos seus ensinos como sendo reflexos da Verdade);
12 - Idolatria a médiuns e espíritos;
13 - Mariolatria (o fato de ter sido mãe biológica de Jesus nada tem a ver com sua suposta elevação espiritual. "O que é da carne é da carne, o que é do espírito é do espírito");
14 - Obrigação de "frequência" a centro espírita;
15 - Consulência;
16 - Casamentos, batizados, bençãos e formaturas;
17 - Culto no lar (saiba o porquê clicando aqui);
18 - Uso de imagens, altares, pinturas, símbolos, velas, pirâmides, incensos, defumadores, banhos de "descarrego", amuletos e talismãs;
19 - Simpatias;
20 - Prece mecânica e/ou decorada (Estude a respeito aqui);
21 - "Dono" de centro espírita;
22 - Corrente de orações;
23 - Vegetarianismo (veja mais aqui);
24 - Astrologia ou adoção de signos astrológicos (veja mais aqui);
25 - Planeta chupão(veja mais aqui);
26 - Virgindade de Maria e outros mitos bíblicos como Adão e Eva, Arca de Noé, etc.;
27 - Comemoração de datas religiosas;
28 - Elementais (duendes, fadas, etc.);
29 - Crianças índigo, cristal ou equivalentes (vide o artigo sobre Divaldo Franco clicando aqui);
30 - Corpo fluídico de Jesus (teoria rustenista inspirada no docetismo que não encontra respaldo na Doutrina. Jesus teve um corpo carnal, como todos nós);
31 - Vale dos suicidas, dos drogados, dos tatuados, etc.;
32 - Jesus como "salvador", "cordeiro de Deus", etc.;
33 - Crença na existência de alguma "Casa Máter" do Espiritismo;
34 - Brasil como pátria escolhida por Deus, "coração do mundo, pátria do Evangelho";
35 - Crença em Anticristo, Satanás, inferno e penas eternas (estude o tema aqui);
36 - Rituais, simpatias, novenas, mantras ou utilização de quaisquer bebidas (alcoólicas e alucinógenas) antes, durante ou após as reuniões.

*Artigo inspirado em tópico presente na Comunidade "Eu Sou Espírita", na Rede Social Orkut.

04 março 2010

Terremotos recentes e histerias apocalípticas


Todos nós acompanhamos os acontecimentos recentes no Haiti e no Chile, com a ocorrência de terremotos de grande magnitude que ocasionaram mortes e destruição. Sem dúvida, são acontecimentos que estarrecem a todos, haja vista que, na condição de encarnados, instintivamente ficamos em alerta para tudo que se constitua ameaça à nossa sobrevivência corpórea ou a de nossos semelhantes. Algo muito natural, pois caso não houvesse em nós o intinto de preservação e conservação, muito mais facilmente sucumbiríamos frente às dificuldades da vida corporal, refugiando-nos nas terríveis teias do suicídio, assim desperdiçando a oportunidade de uma encarnação, de que tanto precisamos para nosso aperfeiçoamento espiritual. É o que nos ensina a Doutrina Espírita em "O Livro dos Espíritos". Vejamos:

728 - A destruição é uma lei natural?

– "É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. O que chamais destruição é apenas transformação que tem por objetivo a renovação e o melhoramento dos seres vivos".

729 Se a destruição é necessária para a regeneração dos seres, por que a natureza os cerca com meios de preservação e de conservação?

– "Para que a destruição não ocorra antes do tempo preciso. Toda destruição antecipada dificulta o desenvolvimento do princípio inteligente; é por isso que Deus deu a cada ser a necessidade de viver e de se reproduzir".

730 Uma vez que a morte deve nos conduzir a uma vida melhor, que nos livra dos males desta, e, por isso, mais deveria ser desejada do que temida, por que o homem tem um horror instintivo que o faz temê-la?

– "Já dissemos, o homem deve procurar prolongar a vida para cumprir sua tarefa; eis por que Deus lhe deu o instinto de conservação, que o sustenta nas provas; sem isso, muitas vezes se deixaria levar pelo desencorajamento. A voz secreta que o faz temer a morte lhe diz que ainda pode fazer alguma coisa para seu adiantamento. Quando um perigo o ameaça, é uma advertência para que aproveite o tempo e a morada que Deus lhe concede. Mas, ingrato! Rende mais vezes graças à sua estrela do que ao seu Criador".

No entanto, muitos ainda se questionam acerca da existência de tantos flagelos destruidores, que desde sempre têm ocorrido na face da Terra, pondo tão frequentemente em risco a vida das populações. O Espiritismo, contido nas obras da Codificação, nos dá uma resposta sensata e racional para o pleno entendimento desta e de outras questões. Leiamos:

737 Com que objetivo os flagelos destruidores atingem a humanidade?

"Para fazê-la progredir mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É preciso ver o objetivo para apreciar os resultados dele. Vós os julgais somente do ponto de vista pessoal e os chamais de flagelos por causa do prejuízo que ocasionam; mas esses aborrecimentos são, na maior parte das vezes, necessários para fazer chegar mais rapidamente a uma ordem de coisas melhores e realizar em alguns anos o que exigiria séculos".

738
A Providência não poderia empregar para o aperfeiçoamento da humanidade outros meios que não os flagelos destruidores?

– "Sim, pode, e os emprega todos os dias, uma vez que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É o homem que não tira proveito disso; é preciso castigá-lo em seu orgulho e fazer-lhe sentir sua fraqueza".

738 a Mas nesses flagelos o homem de bem morre como o perverso; isso é justo?

"Durante a vida, o homem sujeita tudo ao seu corpo; mas, após a morte, pensa de outro modo e, como já dissemos, a vida do corpo é pouca coisa; um século de vosso mundo é um relâmpago na eternidade. Portanto, os sofrimentos que sentis por alguns meses ou alguns dias não são nada, são um ensinamento para vós e servirão no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, compõem o mundo real. Esses são filhos de Deus e objeto de toda a sua solicitude; os corpos são apenas trajes sob os quais aparecem no mundo. Nas grandes calamidades que destroem os homens, é como se um exército tivesse durante a guerra seus trajes estragados ou perdidos. O general tem mais cuidado com seus soldados do que com as roupas que usam".

738 b Mas nem por isso as vítimas desses flagelos são menos vítimas?

"Se considerásseis a vida como ela é, e quanto é insignificante em relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Essas vítimas encontrarão numa outra existência uma grande compensação para seus sofrimentos se souberem suportá-los sem se lamentar".

Obs.: "Quer a morte chegue por um flagelo ou por uma outra causa, não se pode escapar quando a hora é chegada; a única diferença é que, nos flagelos, parte um maior número ao mesmo tempo. Se pudéssemos nos elevar pelo pensamento, descortinando toda a humanidade de modo a abrangê-la inteiramente, esses flagelos tão terríveis não pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo".

739 Os flagelos destruidores têm alguma utilidade do ponto de vista físico, apesar dos males que ocasionam?

"Sim, eles mudam, muitas vezes, as condições de uma região; mas o bem que resulta disso somente é percebido pelas gerações futuras".

740 "Os flagelos não seriam para o homem também provas morais que os submetem às mais duras necessidades?"

– "Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar sua inteligência, mostrar sua paciência e sua resignação à vontade da Providência, e até mesmo multiplicam neles os sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se não é dominado pelo egoísmo".

741 É dado ao homem evitar os flagelos que o atormentam?

– "Sim, em parte, embora não como se pensa geralmente. Muitos dos flagelos são a consequência de sua imprevidência; à medida que adquire conhecimentos e experiência, pode preveni-los se souber procurar suas causas. Porém, entre os males que afligem a humanidade, há os de caráter geral, que estão nos decretos da Providência, e dos quais cada indivíduo sente mais ou menos a repercussão. Sobre esses males, o homem pode apenas se resignar à vontade de Deus; e ainda esses males são, muitas vezes, agravados pela sua negligência".

Obs.: "Entre os flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, é preciso colocar na primeira linha a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais à produção da terra. Mas o homem encontrou na ciência, nos trabalhos de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, na rotatividade das culturas e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas, os meios de neutralizar ou de pelo menos atenuar os desastres. Algumas regiões, antigamente assoladas por terríveis flagelos, não estão preservadas hoje? Que não fará, portanto, o homem pelo seu bem-estar material quando souber aproveitar todos os recursos de sua inteligência e quando, aos cuidados de sua conservação pessoal, souber aliar o sentimento da verdadeira caridade por seus semelhantes?"

Portanto, passamos a compreender que, sendo o nosso planeta um mundo de provas e expiações, a Lei de Destruição tem como objetivo acelerar o progresso material e espiritual, não se constituindo tais acontecimentos nenhuma espécie de punição sistemática oriunda da "ira divina", como pensavam os antigos.

Contrariamente ao ensinamento espírita, o espírito Ramatis, objeto de nossos estudos neste espaço, traz uma interpretação toda própria e pessoal, fazendo previsões que, caso se cumprissem, impossibilitaria por completo a sobrevivência da raça humana na face do planeta, devido à forma abrupta com que certos acontecimentos catastróficos ocorreriam.

O citado espírito, com o intuito de influenciar os espíritas a adotarem um discurso muito próximo ao de seitas apocalípticas, fala da aproximação de um planeta proveniente de fora do Sistema Solar, que faria com que o eixo terrestre se elevasse abruptamente. Deste modo,continentes inteiros desapareceriam e outros ressurgiriam, como as mitológicas Atlântida e Lemúria.

Ora, qualquer estudante de nível primário saberia concluir que um evento desse porte teria consequências muito piores do que qualquer hecatombe nuclear, por si só suficiente para varrer a raça humana da Terra. Demonstrando, pois, total desconhecimento sobre a questão, Ramatis chega a afirmar que certos países seriam pouco afetados por tão drásticas mudanças, elegendo o Brasil como uma espécie de "terra dos eleitos", como consta do livro "Brasil, Terra de Promissão", através da médium América Paoliello.

É no livro "Mensagens do Astral", no entanto, que constam em detalhes tais absurdas previsões, que, inclusive, não se cumpriram nas datas previstas. Confiram algumas delas, tais como descrevemos acima:

“... as principais modificações que sofrerão os oceanos Pacífico e Atlântico, com as emersões da Lemúria e da Atlântida, que formarão então extensa área de terra, do que resultará a existência de apenas três continentes, para melhores condições de existência da humanidade futura.” (pg. 132)

“É óbvio que, ao se elevar o eixo terráqueo, o que há de acontecer até o fim deste século, também se modificarão, aparentemente, os quadros do céu astronômico com que estão acostumadas as nações, os povos e tribos, ...” (pg. 122)

“Com a elevação gradativa do eixo terráqueo, os atuais pólos deverão ficar completamente libertos dos gelos e, até o ano 2000, aquelas regiões estarão recebendo satisfatoriamente o calor solar. O degelo já principiou; vós é que não o tendes notado. ..."

"Mais ou menos entre os anos 1960 e 1962, os cientistas da Terra notarão determinadas alterações em rotas siderais, as quais serão os primeiros sinais exteriores do fenômeno de aproximação do astro intruso e da proximidade do "fim dos tempos". Não será nenhuma certificação visível do aludido astro; apenas a percepção de sinais de ordem conjetural, pois essa manifestação dar-se-á mais para o final do século." (pág. 168)

Infelizmente, por falta de um estudo acurado, há ainda muitos que continuam a acreditar em tais previsões e, a cada terremoto, tsunâmi, erupção vulcânica ou notícia de mudanças climáticas, logo assanham-se em declarar que o espírito Ramatis estava, afinal, certo em suas profecias.

Tendo em conta os últimos acontecimentos, enumeremos, a fim de facilitar o entendimento de todos, as evidências que indicam que tais previsões são, no mínimo, puramente imaginosas:

1 - Acontecimentos como os terremotos recentes no Haiti e Chile sempre ocorreram com certa frequência, já muito antes do período compreendido entre 1950 - 2000, em que Ramatis afirma que a incidência de catástrofes aumentaria em função da aproximação do tal "astro intruso". Além disso, os especialistas afirmam que não houve nenhum aumento na atividade sísmica e consideram totalmente dentro da normalidade o alto número de abalos sofridos recentemente. Eles atribuem essa impressão de que a quantidade de tremores cresceu à cobertura que a mídia, de maneira geral, tem dedicado ao assunto ultimamente. De acordo, por exemplo, com o analista do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (Obsis-UnB), Diogo Farrapo Albuquerque, "é normal a alta incidência de terremotos no mundo todo - a diferença é que a tragédia no Haiti chamou a atenção do mundo para as atividades sísmicas".

2 - Ainda conforme quem realmente entende do assunto, os terremotos do Haiti e os que estão ocorrendo na Argentina, Colômbia, Chile ou em outras partes do mundo não têm relação direta. Eles são causados pelo movimento entre placas tectônicas diferentes e, portanto, têm origens diferentes. Portanto, cai por terra a teoria de que poderia ter relação com qualquer movimento estranho do planeta, como afirma Ramatis, quando atribui tais ocorrências à elevação do eixo terrestre;

3 - Após o terremoto do Chile, surgiu a notícia de que o terremoto no Chile teria deslocado o eixo central do planeta, fazendo com que a Terra demore menos que 24 horas para dar uma volta em torno de si mesma (rotação), deixando os dias 1,26 microssegundo mais curtos. Tal informação, alardeada pelos catastrofistas de plantão como sendo mais uma prova da sapiência ramatisiana, nada tem, na verdade, de extraordinária. Segundo especialistas, como Afonso Vasconcelos Lopes, professor do Departamento de Geofísica do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo), as mudanças são irrelevantes, em entrevista dada ao site R7:

- "Esse tipo de alteração no eixo da Terra só é importante no tempo geológico, ou seja, em milhões e milhões de anos com a acumulação de sucessivos tremores. Nesse caso (apresentado hoje pela Nasa), um evento individual não é importante."

Apesar do eixo ter mudado em oito centímetros, o que parece muito, isso em nada vai afetar nossas vidas. Só daqui a mil anos vamos ter um segundo a menos no dia.

Tal advento, se comparado à previsão de Ramatis, também não encontra eco, pois o citado espírito fala que terremotos seriam reflexos (efeito) da alteração do eixo, e não o contrário;

4 - As alterações no clima, como todos sabem, são decorrentes do efeito estufa e consequente aquecimento global, gerado pela derrubada de florestas e pelas queimadas das mesmas, pois são elas que regulam a temperatura, os ventos e o nível de chuvas em diversas regiões. Como as florestas estão diminuindo no mundo, a temperatura terrestre tem aumentado na mesma proporção. Um outro fator que está gerando o efeito estufa, é a queima de combustíveis fósseis. A queima do óleo diesel e da gasolina nos grandes centros urbanos tem colaborado para o efeito estufa. O dióxido de carbono (gás carbônico) e o monóxido de carbono ficam concentrados em determinadas regiões da atmosfera formando uma camada que bloqueia a dissipação do calor. Outros gases que contribuem para este processo são: gás metano, óxido nitroso e óxidos de nitrogênio. Esta camada de poluentes, tão visível nas grandes cidades, funciona como um isolante térmico do planeta Terra. O calor fica retido nas camadas mais baixas da atmosfera trazendo graves problemas ao planeta.

29 janeiro 2010

Uma Tese por demais "Cabeluda"


Uma das características marcantes dos espíritos pseudo-sábios é a pretensão de falarem sobre tudo com desassombro, com o intuito de demonstrar possuírem conhecimentos ilimitados e melhor impressionarem aos que lhes dão ouvidos.

Allan Kardec, assim como os Espíritos Superiores, fez várias advertências em relação a essa classe de espíritos, sendo que o Movimento (dito) Espírita brasileiro (MEB) parece ignorá-las, preferindo acreditar que tudo que provém do mundo espiritual deva ser acatado e mesmo publicado sem qualquer análise crítica (prática esta, aliás, tida erroneamente como anticaridosa), como se no mundo espiritual só houvessem espíritos sábios e iluminados, únicos capazes de se comunicarem com os homens. Ledo engano, o que denota um profundo desconhecimento da Doutrina Espírita e da metodologia kardeciana no trato com os Espíritos. E, como resultado, temos percebido o enorme avanço de ideias estranhas à Doutrina, tornadas conhecidas através de obras repletas de excentricidades, exotismos e heresias científicas e doutrinárias de toda sorte, misturadas a conceitos aceitáveis e palavras bonitas exaradas com o fito de despistar os leitores menos atentos.

No precioso livro "Viagem Espírita" (1862), o Codificador faz, já àquela época, comentários importantes sobre a questão:

“(...) Esses erros provêm quase sempre de Espíritos levianos, sistemáticos ou pseudo-sábios, que se comprazem vendo editadas suas fantasias e utopias (...) Mas, como esses Espíritos não possuem nem a verdadeira cultura, nem a verdadeira sabedoria, não conseguem manter por muito tempo o seu papel e a ignorância os trai. (...) é preciso que não temais, para o futuro, a influência dessas obras. Elas podem, momentaneamente, acender um fogo de palha, mas quando não se apóiam em uma lógica rigorosa, vede, ao fim de alguns anos – muitas vezes de alguns poucos meses –, a que se reduziram. (...)”

E conclui com o bom senso que o caracterizava: “(...) Uma vez que os Espíritos possuem livre-arbítrio e uma opinião sobre os homens e as coisas, compreender-se-á que a prudência e a conveniência mandam afastar esses perigos. No interesse da doutrina convém, pois, fazer uma escolha muito severa em semelhantes casos (...)”.

Em "O Livro dos Médiuns", Allan Kardec descreve a tática adotada pelos espíritos pseudo-sábios, alertando para o perigo que representam:

"Estes são os mais perigosos, porque afetam uma aparência séria, de ciência e de sabedoria, em favor da qual proclamam, em meio a algumas verdades e boas máximas, as mais absurdas coisas."

E arremata, ensinando qual deva ser a postura eminentemente espírita e correta em relação aos mesmos:

"Separar o verdadeiro do falso, descobrir a trapaça oculta numa cascata de palavras bonitas, desmascarar os impostores, eis, sem contradita, uma das maiores dificuldades da Ciência Espírita."

No que tange especificamente ao espírito Ramatis, já tivemos a oportunidade de listar e comentar inúmeras de suas discrepâncias em relação ao Espiritismo e às Ciências em geral, desde suas previsões apocalípticas de destruição do planeta que não se cumpriram até as descrições pormenorizadas da topografia marciana que em nada se assemelham à verdadeira conformação daquele planeta, teses estas que funcionaram como carros-chefes do citado espírito, e que hoje encontram-se flagorosamente desmentidas pelo tempo e pelo avanço da tecnologia e do pensamento humano.

No entanto, Ramatis não só se mostrou um equivocado profeta e astrônomo, mas também um bem mal informado médico dermatologista, com grande desconhecimento acerca da fisiologia humana. Na obra "Magia de Redenção", ditada ao médium Hercílio Maes, capítulo IX, intitulado "O uso do cabelo na feitiçaria" (página 163 - 7ª edição), consta o seguinte:

PERGUNTA - Poderíeis dizer-nos por que os homens ficam calvos e tal fenômeno é mais raro entre as mulheres?

RAMATIS - Apesar dos inúmeros fatores organogênicos e hereditários enfermiços, que enfraquecem a cabeleira humana, além do uso nocivo de cremes, gomas, produtos e tinturas químicas que atacam o bulbo capilar, uma das principais causas da calvície masculina é a ignorância do homem em cortar os seus cabelos. Aliás, modernamente, observa-se que as próprias mulheres também se candidatam à calvície prematura, por adotarem o cabelo curto e o deceparem fora de época. As leis que disciplinam os fenômenos da vida física, etérica, astralina ou mental, na verdade derivam-se de um só lei imutável e eterna - a Lei Divina da Criação Cósmica! Ela é a mesma lei que rege a coesão dos astros no campo sideral, a afinidade entre as substâncias químicas e o amor entre as criaturas humanas. Em consequência, até no corte do cabelo o homem deve obedecer a regência das leis que regulam o seu crescimento capilar, caso não deseje ficar calvo!"

Como pôde perceber o leitor, Ramatis aponta o corte dos cabelos como um dos fatores que provocam a calvície em homens e mulheres! - algo que, evidentemente, não faz o menor sentido, haja vista que, caso assim fosse, seríamos todos carecas, uma vez que não há quem não corte os cabelos nos dias de hoje.

Não se contentando em prescrever uma medida anacrônica para evitar a perda dos cabelos, Ramatis ainda chega a afirmar que o corte dos cabelos deva obedecer às fases da Lua, antigo mito cultural e crendice, hoje desmentida pela Ciência moderna. Na verdade, sabe-se que o cabelo é formado por uma proteína chamada de alfa-queratina, sendo que tudo o que acontece com ele está na parte interior do couro cabeludo, a três ou quatro milímetros de profundidade. Nosso cabelo nada mais é do que células mortas impregnadas de queratina. Portanto, não há uma conexão entre o crescimento dos cabelos com as fases da Lua, já que não se pode comparar crescimento dos cabelos com crescimento de plantações, por exemplo, que obedecem a leis bem diferentes entre si. Tal crendice tem origem nas mitologias dos povos agrícolas, que achavam que o que era bom para as plantas servia para os cabelos. Assim, conforme a superstição, aparar os fios na lua cheia aumentaria o volume; na minguante, teria o efeito oposto; na lua nova seria ótimo para renovar o visual e, na crescente, ideal para se tornar um Sansão ou uma Rapunzel. Há, sim, provas de que os fios reagem à melatonina, hormônio associado à luminosidade do meio ambiente, por isso a taxa de crescimento é ligeiramente menor durante o inverno.

23 janeiro 2010

Ramatís e o Espiritualismo Eclético


O confrade Marcus Vinícius Pinto, de Lavras-MG, nos enviou um interessante e bem escrito artigo sobre Ramatis que aproveitamos para aqui reproduzir. Agradecemos ao amigo a excelente contribuição.

"A mediunidade é a capacidade humana de transcender as limitações físicas e de adentrar no mundo espiritual. O médium é a criatura humana que dispõe de capacidade natural de realizar contato entre o mundo físico e o espiritual e servir de intermediário entre os dois planos da vida. A mediunidade, que é faculdade natural, própria de todo ser humano, em certos casos se manifesta de forma ostensiva, característica, permitindo o intercâmbio de sentimentos, emoções e conhecimentos entre os que aqui permanecem temporariamente (Espíritos encarnados) e os que se libertaram do corpo físico (Espíritos desencarnados). A partir da constatação da existência da mediunidade e dos Espíritos que se comunicam, Hippolite Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, recebeu grande cota destes conhecimentos da parte dos Espíritos Superiores, sistematizou-os, formando um corpo de doutrina filosófica espiritualista ao qual denominou Espiritismo ou Doutrina Espírita. Isto porque, segundo Kardec, “Para coisas novas precisamos de palavras novas: assim o exige a clareza da linguagem, para evitarmos a confusão inerente ao sentido múltiplo dos mesmos termos” (L.E. introd. 1). Em seguida, ele coloca que diversos são os espiritualismos e que nem todos acreditam nos Espíritos e nas comunicações deles conosco. Além, é claro, de outras diferenças de pontos de vista e de interpretações de questões espirituais. Para diferenciar a Doutrina dos Espíritos de outros ramos espiritualistas é que ele criou a nova palavra Espiritismo.

Acontece que nem todos os médiuns tomam como base de suas atividades as seguras orientações de Kardec e muitos não admitem sequer pertencer a uma sociedade espiritista ou a alguma federativa. E, pior ainda, querem divulgar que suas recepções mediúnicas são superiores ao conteúdo da obra de Kardec ou trazem algum acréscimo necessário à sua atualização. Um destes é o médium Hercílio Maes que viveu em Curitiba – Paraná e foi médium do Espírito conhecido como Ramatís. Seus livros psicografados contêm perguntas e respostas sobre diversos assuntos de cunho espiritualista. Este Espírito se refere muito ao Espiritismo em suas obras. Porém, ao analisar as questões, introduz conceitos, idéias e informações de outros ramos espiritualistas. Ramatís, em antiga edição do livro “Mensagens do Astral”, se afirma não espírita, sem rótulo e sem compromisso particular com determinada escola espiritualista. Ao mesmo tempo, afirma que sua última encarnação foi na Indochina, tendo sido “mestre iniciático” de um templo no século X. Afinal, o que ele segue? O que ele defende? Em certos momentos se refere, com relação a sua salada indigesta, como sendo “Universalismo” ou “Espiritualismo Eclético”. O segundo termo, talvez, seja o mais preciso para essa mistura irrestrita de tantas escolas espiritualistas: rosa-cruz, teosofia, yoga, ocultismo, esoterismo e outros “ismos” mais. Deve possuir consultores desencarnados nesses diversos ramos para assessorá-lo. O fato é que seus fiéis se dizem seguidores de “Jesus, Kardec e Ramatis”. Será que o Espiritismo, em sua origem com o Espírito de Verdade, estava programado para receber essas enxertias sincréticas e ecléticas, ou seja, toda essa mistura? É evidente que não.

No livro “Ramatís: Sábio ou Pseudo Sábio”, editora EME, o confrade Artur Felipe, em feliz ensaio crítico, demonstra os erros e contradições nas comunicações de Ramatís: As previsões aterradoras de final de tempos para o último período do século XX em que dois terços da população seriam dizimados (Mensagens do Astral) não aconteceram. Rituais, mantras, etc. são meios de se alcançar o "Cristo Planetário".(p. 302). As sondas norte americanas mapearam todo o planeta Marte e nada encontraram de vida organizada conforme o livro “O planeta Marte e os discos voadores”. No livro “Sublime Peregrino” Jesus é médium de outra entidade: o “Cristo Planetário” (sic). Em notas de rodapé é recomendado aos leitores a leitura de livros de yoga, esoterismo e outros. Quem aguenta? Muitos não lêem as obras básicas de Kardec. Como vão ser espíritas conscientes ainda misturando outros conceitos heterogêneos? Dizia Deolindo Amorim: - “O Espiritismo é universalista, porque os fatos do Espírito são universais, os seus problemas tem o sentido da universalidade, mas também é oportuno acentuar que o ESPIRITISMO não é uma forma de sincretismo doutrinário ou religioso, sem unidade ou consistência. NÃO, ABSOLUTAMENTE. Já se falseou muito a idéia de universalismo. Ser universalista é ter visão global de conhecimento, É ESTIMAR A UNIVERSALIDADE DOS VALORES ESPIRITUAIS ACIMA E ALÉM DE TODAS AS CONFIGURAÇÕES GEOGRÁFICAS OU HISTÓRICAS. UNIVERSALISMO É CONVICÇÃO, É UMA POSIÇÃO CONSCIENTE EM FACE DA CULTURA HUMANA E ESPIRITUAL; NÃO É, PORTANTO, A JUNÇÃO PURA E SIMPLES DE CRENÇAS, DOUTRINAS E PRÁTICAS DIVERSAS. (Deolindo Amorim – “Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas”). Na verdade Ramatís e seus seguidores são Espiritualistas Ecléticos e não espíritas. Porém, nas fachadas de suas instituições ostentam o nome de Espiritismo e de Sociedade Espírita. O ideal seria que se denominassem ecléticos e seguidores do Espiritualismo Eclético. Todas estas considerações são para esclarecer, sem perder de vista o Espírito fraterno, solidário, tolerante e benévolo que deve caracterizar a todos os que buscam a luz e a verdade."

15 janeiro 2010

Ramatis e a Lei de Reprodução

A reprodução, na espécie humana, se dá também através dos laços de afeição
Dentro de nossa análise dos ditados do espírito Ramatis, encontramos inúmeros posicionamentos unilaterais da citada entidade que contrariam diametralmente as preciosas instruções dos Espíritos Superiores a Allan Kardec, assim como o próprio senso-comum. É o caso da posição ramatisiana acerca dos métodos contraceptivos contida na obra "A Vida Humana e o Espírito Imortal", através do médium Hercílio Maes. Vejamos:

"Só existe um único e justificável recurso para a limitação de filhos, capaz de livrar o homem de qualquer responsabilidade para com a Lei do Carma: é a continência sexual! Fora disso, o homem é culposo de tentar fugir ou evitar as suas consequências procriativas! Em verdade, os próprios animais mostram-se mais corretos do que o homem nas suas relações sexuais, pois só as praticam em épocas de cio destinadas à procriação, mantendo-se em continência nos períodos de infecundidade!"

Como se vê, Ramatis afirma, textualmente, que o único e justificável recurso para a limitação de filhos é a abstinência, sendo que ainda aconselha aos encarnados agirem tal qual os animais irracionais, que só têm relações sexuais quando a fêmea está no cio!...

Com certeza, tal opinião radical, mais uma vez, nem de longe encontra respaldo na Doutrina Espírita e na Ciência Oficial, além de ser equivocada do ponto-de-vista moral, uma vez que Ramatis só admite o sexo para reprodução, ignorando que os seres humanos têm sua sexualidade não só motivada pela biologia e com vistas à reprodução, mas também e principalmente por valores afetivos.

Ramatis ignorou também que nos animais irracionais, os períodos de receptividade sexual, chamados de estro ou cio, ocorrem em intervalos específicos e identificáveis, seguidos por fases de atividade sexual, bem diferente do que ocorre na espécie humana.

Concordante com as conquistas da Ciência, da razão e da lógica, e não com preconceitos e radicalismos próprios dos espíritos pouco adiantados, o Espiritismo ensina que a ordenação bíblica — "crescei e multiplicai-vos" — inclusive utilizada por Ramatis para sustentar sua argumentação, não tem sido, até hoje, bem compreendida por todos. Os que se atêm à letra das Escrituras, sem penetrar-lhe o espírito, vêem nessas palavras uma lei divina, estabelecendo que a reprodução das espécies, inclusive a humana, deva ser livre e ilimitada, e que obstá-la seria grave pecado. Sem dúvida, a reprodução dos seres vivos é lei da natureza e preenche uma necessidade no mecanismo da Evolução; isso não quer dizer, entretanto, seja proibido ao homem adotar certas medidas para a regular. Tudo depende da finalidade que se tenha em vista.

No que diz respeito ao controle da natalidade humana, objeto, hoje, de complexas pesquisas nos campos da Biologia, da Genética, da Farmacologia, da Sociologia, etc., e de acalorados debates entre teólogos e moralistas de várias tendências, a Doutrina Espírita nos autoriza a afirmar que, em havendo razões realmente justas para isso, pode o homem limitar sua prole, evitando a concepção.

A questão nº 694 de "O Livro dos Espíritos" dirime todas as dúvidas sobre o assunto, pois condena taxativamente apenas "os usos, cujo efeito consiste em obstar a reprodução, para satisfação da sensualidade", deixando claro que pode haver, como de fato há, inúmeros casos em que se faz necessário não só restringir, mas até mesmo evitar qualquer quantidade de filhos.

"O homem se distingue dos animais — disseram ainda os Espíritos Reveladores na Codificação — por obrar com conhecimento de causa." Portanto, o que dele se espera não é apenas que procrie por força do instinto sexual, qual mero reprodutor, mas que sejam pais e mães responsáveis e zelosos, dignificando a existência de seus filhos.

Ramatis ainda chega a afirmar que "não foi necessário o uso de pílulas anticoncepcionais para limitar-se a procriação dos animais antediluvianos e monstruosos, como eram os brontossauros e dinossauros, pois eles foram escasseando sob o rigorismo da própria Lei que os criou", numa comparação dantesca com os animais pré-históricos, num claro incentivo à reprodução descontrolada e irracional.

Mais adiante, após condenar o erotismo, o desejo e o prazer oriundo do contato sexual, cai em contradição ao responder a seguinte pergunta ao falar dos sultões e seus haréns, indiretamente justificando a poligamia:

P.: "E que dizeis desses sultões, donos de vastos "haréns" de mulheres, cuja descendência atinge a centenas de filhos?

Ramatis: - "Eles cumprem a Lei da Procriação sob os costumes e a moral concebida pela sua raça, atendendo às próprias necessidades dos espíritos de sua linhagem evolutiva!" (...) Assim, a prolífica descendência dos sultões, no Oriente, ou de certos povos e tribos disseminadas pela África e Ásia, auxilia na solução dos problemas espirituais, porque proporcionam os corpos ou instrumentos de aprendizado para outros irmãos desesperados ou carentes de alfabetização, através do livro da natureza material!"

Já os Espíritos Superiores, em resposta à questão 701, ensinam que a abolição da poligamia, lei ainda existente entre alguns povos, marca um progresso social – que dizemos grandioso –, porquanto "o casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem”. E concluem sabiamente:

"Na poligamia não há afeição real: há apenas sensualidade."

Seguindo com suas "instruções" sobre sexo somente para procriação, Ramatis ainda afirma que um casal deve ter, no mínimo, quatro filhos (!), para estar quite com a Lei, o que é uma insensatez, pois estabelece um parâmetro único de conduta para todos os casais existentes no planeta.

Verificamos, assim, que o Espiritismo estabelece que o indivíduo pode regular, segundo a sua vontade, o número de filhos que deseja possuir, aquilo que hoje conhecemos como "planejamento familiar". Já Ramatis, adotando um posicionamento radical e moralista, atrela o sexo apenas à reprodução, tal qual um fundamentalista religioso, que enxerga pecado em tudo. Frente a tal absurdo, um dos médiuns de Ramatis, Wagner Borges, em seu livro "Viagem Espiritual", chegou a afirmar que tal pensamento sobre os contraceptivos não seria de Ramatis, mas sim uma interferência anímica de Hercílio Maes, na já conhecida estratégia de defender o espírito de qualquer maneira, exaltando-o quando ele parece acertar e imputando os inúmeros absurdos única e exclusivamente ao médium.

Esperamos que o leitor tenha podido, mais uma vez, aquilatar o que é ensino espírita e diferenciá-lo daquilo que não passa de uma inglória tentativa de um espírito pseudo-sábio em impor suas ideias, tomadas como reflexo da Verdade e que deseja, a todo custo, que prevaleçam.

13 janeiro 2010

Rizzini descreve Ramatis, sem meias palavras


Jorge Toledo Rizzini (1924 - 2008), escritor consagrado, jornalista profissional, polemista dos melhores, desde cedo mostrou-se grande defensor dos postulados doutrinários e do Espiritismo bem estudado e entendido, além de detentor de elevadas aptidões mediúnicas em favor do Bem geral. São de sua autoria os excelentes "Escritores e Fantasmas", "Materializações de Uberaba", "Caso Arigó" e outros, escritos via mediúnica.

Amigo pessoal de José Herculano Pires e de Chico Xavier, não se furtou de comentar sobre o espírito Ramatis, que tanta confusão semeou e ainda semeia com seus livros repletos de informações desencontradas e fantasiosas, sem qualquer amparo na Ciência e na Doutrina Espírita.

Artigo: "RAMATIS E O PLANETA MARTE"

A NAVE DE RAMATIS – QUE ESTÁ SEMPRE LOTADA DE ANALFABETOS ESPÍRITAS.

"O Espírito Ramatis sabe jogar com rara habilidade com fantasias e verdades. E, por não desprezar a verdade, conseguiu ludibriar até mesmo alguns que se julgavam conhecedores da Doutrina Espírita. Mas não é exatamente mau. O problema é que ele convulsiona o Movimento Espírita com suas fantasias, através de um estilo austero, professoral, às vezes dramático.

Sua palavra é a última sobre qualquer assunto. Não há pergunta que o deixe embaraçado, seja sobre química ou física nuclear, botânica ou astronomia, pintura ou medicina, etc. Mas, entre os temas de sua predileção um há que o deixa enternecido e sobre o qual chegou a escrever um livro com mais de quatrocentas páginas e que tem o sugestivo título de “A Vida no Planeta Marte” (e os Discos Voadores). A obra foi publicada em 1956, mas é atualíssima, pois os cientistas da Terra estão pesquisando aquele planeta.

Enquanto Ramatis, com seu estilo doutoral, com sua imaginação indomável, nos diz a respeito de Marte que:

- Já tem, aproximadamente,um bilhão e meio de habitantes;
- O Espírito reencarnante marciano vive no casulo materno sob condições análogas às terrenas;
- Estamos em relação aos marcianos, com relação a eletrônica, quatrocentos anos atrasados, e, moralmente, um milênio;
- Todos os sistemas religiosos do planeta são reencarnacionistas e entram em contato com os Espíritos desencarnados.

Estas e outras informações são de Ramatis, autor que fascinou os leitores e os fez sonhar com o planeta Marte. Sua capacidade de narrar é singular, e sua imaginação ardente, se não supera pelo menos se iguala a dos fantásticos criadores de estórias em quadrinhos. Impossível não realçar essas qualidades, que lhe granjearam, logo ao ser publicado o seu primeiro livro, os aplausos do público em geral e, particularmente, de milhares de espiritistas incautos, que nele viram uma sumidade do Além.

Ramatis é um espírito enfermo - trata-se, evidentemente, de um caso de megalomania, enfermidade mental. E não de maldade deliberada, já que suas mistificações, por estranho que pareça, sempre visam enlevar o público. Que a enfermidade atingiu o mais alto grau, não há dúvida, pois Ramatis se comove quando fala do Evangelho, como quando fala da "civilização marciana". Ele mistura verdade e mentira na mesma emoção. Ao invés de recriminações, Ramatis merece compreensão e preces.

Os que merecem mesmo cuidados especiais são os “espíritas” que ainda estão radiantes com a leitura de livros de Ramatis. Esses sim são detentores de um potencial capaz de deturpar o Movimento Espírita." ("Jornal Espírita", São Paulo-SP, fevereiro de 1977).